{"id":1782,"date":"2019-03-07T10:53:32","date_gmt":"2019-03-07T13:53:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iprade.com.br\/portal\/?p=1782"},"modified":"2019-03-14T03:06:29","modified_gmt":"2019-03-14T06:06:29","slug":"dia-da-mulher-primeira-e-unica-magistrada-a-presidir-o-tre-pr-desembargadora-regina-portes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iprade.com.br\/portal\/dia-da-mulher-primeira-e-unica-magistrada-a-presidir-o-tre-pr-desembargadora-regina-portes\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: primeira e \u00fanica magistrada a presidir o TRE-PR, desembargadora Regina Portes"},"content":{"rendered":"<p><em>Magistrada concedeu entrevista sobre a participa\u00e7\u00e3o feminina no Judici\u00e1rio brasileiro<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.tre-pr.jus.br\/imprensa\/noticias-tre-pr\/2019\/Marco\/primeira-e-unica-magistrada-a-presidir-o-tre-pr-desembargadora-regina-portes-e-homenageada-no-dia-da-mulher\">TRE-PR<\/a><\/p>\n<p>Nesta mesma \u00e9poca do ano, no Carnaval de 1967, os estudantes cantarolavam \u201cM\u00e1scara Negra\u201d, composi\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Keti, ao entrar nas salas para prestar a prova do vestibular da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Entre eles estava a jovem Regina, que tentaria uma vaga em dois cursos distintos: Biblioteconomia, porque acreditava ser essa a melhor forma de se aproximar da Arqueologia, ci\u00eancia que era sua voca\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o era ofertada pela universidade; e Direito, para acompanhar uma amiga que aspirava ao universo jur\u00eddico \u2013 em solidariedade, essa amiga tamb\u00e9m faria a prova para Biblioteconomia.<\/p>\n<p>Cinquenta e dois carnavais depois, a desembargadora Regina Helena de Oliveira Portes comemora uma vida dedicada \u00e0 advocacia e \u00e0 magistratura \u2013 enquanto a sua amiga, diga-se de passagem, aposentou-se como uma excelente bibliotec\u00e1ria. Com efici\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o, a desembargadora abriu caminho em um universo at\u00e9 ent\u00e3o exclusivamente masculino: foi a primeira mulher a integrar o extinto Tribunal de Al\u00e7ada e o Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJ-PR).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi primeira (e \u00fanica) mulher a presidir o Tribunal Regional Eleitoral do Paran\u00e1 (TRE-PR), no bi\u00eanio 2010\/2011, institui\u00e7\u00e3o \u00e0 qual retorna, no dia 8 de mar\u00e7o, como homenageada do TRE: Mulher e Cidadania, que tamb\u00e9m homenageia, nesta edi\u00e7\u00e3o, a procuradora regional eleitoral Eloisa Helena Machado. A seguir, confira a entrevista concedida pela desembargadora:<\/p>\n<p><b>Como \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de triunfar em um universo essencialmente masculino?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o considero uma sensa\u00e7\u00e3o de triunfo, mas uma luta. Fui advogada por 20 anos. Minhas conquistas foram o in\u00edcio de uma abertura para outras colegas ascenderem. Quando entrei no Tribunal de Al\u00e7ada, em 1992, eu era a \u00fanica mulher entre 50 ju\u00edzes. Foi dif\u00edcil no come\u00e7o. Em um ju\u00edzo de primeiro grau, cada um tem a sua vara para julgar, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 problema. Mas quando voc\u00ea participa de um colegiado, existem restri\u00e7\u00f5es. Por sorte, eu conhecia muitos dos colegas e consegui angariar 49 grandes amigos. Eles passaram a me cuidar, a disputar a minha aten\u00e7\u00e3o na hora do cafezinho, me tratavam de forma profissional, mas sempre com carinho. A\u00ed, quando vim para o Tribunal de Justi\u00e7a, j\u00e1 tinha quebrado aquela barreira do Tribunal de Al\u00e7ada, ent\u00e3o a coisa fluiu mais facilmente.<\/p>\n<p align=\"center\"><em><b>\u201cMinhas conquistas foram o in\u00edcio de uma abertura para outras colegas ascenderem.\u201d<\/b><\/em><\/p>\n<p><b>Magistrados decidem de forma diferente conforme o g\u00eanero?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o. Na nossa C\u00e2mara (<i>4\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do TJ-PR<\/i>), que \u00e9 de Direito P\u00fablico, tanto meus colegas homens quanto mulheres trabalham muito bem. O que eu sinto \u00e9, na mulher, um perfeccionismo maior. Ela \u00e9 mais detalhista, mais afeta a tentar acertar sempre. No Direito P\u00fablico, os valores mais associados \u00e0s mulheres, como a sensibilidade, n\u00e3o prevalecem. Talvez isso aconte\u00e7a mais nas Varas de Fam\u00edlia. No Direito P\u00fablico, o olhar minucioso da mulher \u00e9 o que a diferencia.<\/p>\n<p><b>Existe diferen\u00e7a na forma como a carreira jur\u00eddica influencia a fam\u00edlia de um magistrado e de uma magistrada?<\/b><\/p>\n<p>Sim, claro. Na fam\u00edlia do magistrado, ele geralmente tem algu\u00e9m que desempenhe a for\u00e7a-tarefa dom\u00e9stica. No caso da magistrada, ela faz essa parte tamb\u00e9m. \u00c9 uma jornada tripla: trabalho, casa, fam\u00edlia. Vou ao banco, ao mercado, levo a cachorrinha ao veterin\u00e1rio, pego meu neto na escola de ingl\u00eas e tenho que estar aqui no hor\u00e1rio. O magistrado, em regra, se levanta e vai trabalhar. Ele sabe que a comida estar\u00e1 pronta quando chegar em casa. E, mesmo assim, posso lhe assegurar, a maior produtividade no tribunal \u00e9 feminina. As mulheres, sejam casadas, solteiras, com filhos ou netos, n\u00e3o t\u00eam processos atrasados. A minha equipe, inclusive, \u00e9 formada s\u00f3 por mulheres.<\/p>\n<p><b>Esse ac\u00famulo de afazeres seria o principal motivo para o reduzido n\u00famero de magistradas, principalmente nas c\u00fapulas do judici\u00e1rio, ou ainda prevalece uma mentalidade masculina nos processos seletivos?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o acredito que ainda exista essa mentalidade predominantemente masculina. As mulheres inclusive s\u00e3o um n\u00famero cada vez maior de aprovadas nos concursos da magistratura. Elas s\u00e3o estudiosas por natureza, s\u00e3o altamente decididas no que querem fazer. A mulher, quando se prop\u00f5e a estudar e passar num concurso, ela passa num concurso. Ela \u00e9 determinada. Essa determina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se reflete no trabalho, quando ela gosta do que faz. Tanto que \u00e9 muito raro voc\u00ea ver uma mulher se aposentando antes de entrar na idade limite. Elas v\u00e3o at\u00e9 o final.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><em>\u201cNo Direito P\u00fablico, o olhar minucioso da mulher \u00e9 o que a diferencia.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><b>A senhora teve alguma inspira\u00e7\u00e3o na sua carreira?<\/b><\/p>\n<p>Nenhuma. Ca\u00ed na faculdade de Direito por acaso. Eu queria ser arque\u00f3loga. Fiz escola normal no Col\u00e9gio Nossa Senhora de Sion, ia ser professora, dar aula em um jardim da inf\u00e2ncia. A\u00ed uma amiga me disse que ia fazer vestibular. Eu nem pensava nisso porque n\u00e3o tinha curso de Arqueologia em Curitiba. Meu pai era radical, n\u00e3o ia me deixar ir a S\u00e3o Paulo para estudar. Ent\u00e3o eu j\u00e1 estava conformada de ser professora quando resolvi prestar o vestibular para Biblioteconomia, porque achei que assim teria condi\u00e7\u00f5es de estudar e ler alguma coisa sobre Arqueologia. Isso foi em 1967. Ent\u00e3o, minha amiga disse que faria a prova para Direito. O vestibular aconteceria em fevereiro, na quinta-feira ap\u00f3s o Carnaval. Naquela \u00e9poca, foi lan\u00e7ada aquela m\u00fasica \u201cM\u00e1scara Negra\u201d, do Z\u00e9 Keti. Lembro que as pessoas cantarolavam essa m\u00fasica antes de entrar na sala para fazer a prova. Minha amiga prop\u00f4s que estud\u00e1ssemos juntas, pois o programa para o vestibular era o mesmo. Tamb\u00e9m combinamos de fazer as duas provas, para Biblioteconomia e Direito, como forma de incentivo m\u00fatuo. Resultado: eu passei em Direito, ela para Biblioteconomia. Minha amiga foi uma excelente bibliotec\u00e1ria, at\u00e9 se aposentar. E eu resolvi ficar no curso para ver o que acontecia.<\/p>\n<p><b>Quais feitos a senhora destacaria nesses 27 de magistratura?<\/b><\/p>\n<p>Atuando com Direito P\u00fablico, tenho condi\u00e7\u00f5es de fazer justi\u00e7a ou remediar uma injusti\u00e7a. Atualmente, trabalho muito com a mat\u00e9ria de medicamentos, pessoas com c\u00e2ncer, doen\u00e7as terminais, que pedem para o Estado o fornecimento de medicamentos. A tend\u00eancia do Estado \u00e9 brecar essas solicita\u00e7\u00f5es. Mas isso n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel. Na minha m\u00e3o n\u00e3o vai morrer ningu\u00e9m por falta de atendimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Magistrada concedeu entrevista sobre a participa\u00e7\u00e3o feminina no Judici\u00e1rio brasileiro Fonte: TRE-PR Nesta mesma \u00e9poca do ano, no Carnaval de 1967, os estudantes cantarolavam \u201cM\u00e1scara Negra\u201d, composi\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Keti, ao entrar nas salas para prestar a prova do vestibular da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). 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