{"id":5578,"date":"2026-05-28T20:09:00","date_gmt":"2026-05-28T23:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iprade.com.br\/portal\/?p=5578"},"modified":"2026-05-28T20:09:00","modified_gmt":"2026-05-28T23:09:00","slug":"debate-no-x-cbde-discute-influencia-de-algoritmos-e-pesquisas-eleitorais-sobre-o-comportamento-do-eleitorado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iprade.com.br\/portal\/debate-no-x-cbde-discute-influencia-de-algoritmos-e-pesquisas-eleitorais-sobre-o-comportamento-do-eleitorado\/","title":{"rendered":"Debate no X CBDE discute influ\u00eancia de algoritmos e pesquisas eleitorais sobre o comportamento do eleitorado"},"content":{"rendered":"<p>Os impactos das pesquisas eleitorais e dos algoritmos na forma\u00e7\u00e3o da vontade do eleitor foram debatidos durante o painel \u201cPesquisas eleitorais e algoritmos: a vontade da pessoa eleitora pode ser decifrada?\u201d, realizado no X Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral (CBDE) no dia 28 de maio.<\/p>\n<p>A atividade teve modera\u00e7\u00e3o do advogado Gustavo Guedes, um dos fundadores do Iprade, e participa\u00e7\u00e3o do jornalista Eduardo Oinegue e das advogadas Marina Morais e Ma\u00edra Recchia.<\/p>\n<p>O debate abordou os efeitos das plataformas digitais, da coleta de dados e dos mecanismos algor\u00edtmicos sobre o comportamento pol\u00edtico e eleitoral, al\u00e9m dos desafios \u00e9ticos e democr\u00e1ticos relacionados ao uso dessas tecnologias.<\/p>\n<p>Oinegue come\u00e7ou a apresenta\u00e7\u00e3o exibindo uma foto de sua fam\u00edlia e outra de pessoas famosas nascidas em 1930, dentre as quais o ator Lima Duarte. Fez isso para dizer que seu filho Marcelo, nascido em 2002, tem algo em comum com quem nasceu em 1930. \u201cTanto o Marcelo quanto o Lima Duarte viveram a situa\u00e7\u00e3o de ter o mesmo presidente da Rep\u00fablica governando o Brasil quando nasceram e quanto tinham 24 anos\u201d, disse, referindo-se a Get\u00falio Vargas no primeiro caso e a Lula no segundo. \u201cO fen\u00f4meno pol\u00edtico da repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente da falta de lideran\u00e7as\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Oinegue citou ainda que quem tem 53 anos e votou pela primeira aos 16, em 1989, j\u00e1 p\u00f4de escolher o presidente 9 vezes. \u00c9 o mesmo n\u00famero de vezes que votou quem tem 82 anos ou menos, como Paulinho da Viola. \u201cTemos um d\u00e9ficit de democracia\u201d, disse. E para refor\u00e7ar o argumento, citou que os americanos votam de forma ininterrupta h\u00e1 mais de 200 anos. Aqui, sem interrup\u00e7\u00e3o, s\u00e3o 37 anos. Dos 44 presidentes que o Brasil j\u00e1 teve s\u00f3 23 foram eleitos democraticamente, sendo que 14 conclu\u00edram o mandato e 9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Oinegue, pesquisa \u00e9 para a m\u00eddia uma ferramenta de trabalho \u00f3tima, mas n\u00e3o mostra tudo. Isso \u00e9 um desafio do jornalismo. \u201cFalo do jornalismo profissional \u2014 n\u00e3o da blogueiragem amiga\u201d.<\/p>\n<p>Para ilustrar a necessidade de ler as pesquisas com cautela, Oinegue citou um levantamento em que 30% dos americanos disseram estar dispostos a ir colonizar Marte. \u201cFalam porque n\u00e3o \u00e9 de verdade. \u00c9 como pesquisar se as pessoas dirigem bem. Todas dir\u00e3o que sim. Na pesquisa, todo mundo dirige melhor do que a m\u00e9dia\u201d, destacou. Diante do quadro, apontou, \u00e9 fundamental que jornalismo e direito andem juntos. Sem brigar com os fatos.<\/p>\n<p>Para Marina Morais, que mant\u00e9m o perfil @eleitoralporamor, a checagem de fatos \u00e9 relevante, mas tamb\u00e9m o uso que se faz de not\u00edcias oriundas do jornalismo profissional. \u201cSempre tratamos not\u00edcias da m\u00eddia tradicional como verdade, com a presun\u00e7\u00e3o de que passaram pela checagem precisa dos fatos. Em 2022, por\u00e9m, o Ministro Ricardo Lewandowski, abriu no TSE um precedente importante quanto \u00e0 forma de uso da not\u00edcia no contexto eleitoral. Andou bem o tribunal porque pode haver distor\u00e7\u00e3o a partir de not\u00edcia ver\u00eddica da m\u00eddia\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Marina ressalvou, contudo, que a maior fonte de problemas quando se trata de distor\u00e7\u00f5es e fake news n\u00e3o os ve\u00edculos tradicionais, mas alguns blogs e demais canais que querem ser protegidos pelo manto da liberdade de imprensa sem o \u00f4nus da checagem do jornalismo profissional. \u201cTemos de exigir mais responsabilidade dos que se autointitulam jornalistas\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Ma\u00edra Recchia come\u00e7ou comentado que se recorda CBDE de 2016, quando se discutia ficha limpa, propaganda, direito de resposta, abuso de influ\u00eancia religiosa no contexto eleitoral. \u201cMuitos temas, mas nada sobre meios digitais e algoritmos. Hoje precisamos saber o direito &#8212; \u00e9 isso \u00e9 fundamental &#8212; mas tamb\u00e9m dominar outros temas. A comunica\u00e7\u00e3o e a velocidade da informa\u00e7\u00e3o mudaram\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Outro aspecto levantado pela advogada \u00e9 o de que o direito eleitoral deixou de ser sazonal, surgindo a cada dois anos. \u201cOs agentes pol\u00edticos est\u00e3o se colocando na vitrine digital o tempo todo e isso muda nossa demanda\u201d.<\/p>\n<p>Quanto ao impacto dos influenciadores nas elei\u00e7\u00f5es, a painelista aponto que acredita que haja algum n\u00edvel de apoiamento espont\u00e2neo, sem remunera\u00e7\u00e3o. \u201cMas temos de pensar que est\u00e3o em jogo outros ganhos, via monetiza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados digitais\u201d, pontuou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os impactos das pesquisas eleitorais e dos algoritmos na forma\u00e7\u00e3o da vontade do eleitor foram debatidos durante o painel \u201cPesquisas eleitorais e algoritmos: a vontade da pessoa eleitora pode ser decifrada?\u201d, realizado no X Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral (CBDE) no dia 28 de maio. 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