Em entrevista divulgada na tarde desta segunda-feira (19/1) na Rádio Jovem Pan News, o presidente do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral (Iprade), Paulo Golambiuk, analisou como o desenho de distribuição do Fundo Eleitoral deve influenciar o cenário político para as eleições de 2026, aprofundando a polarização.
Em sua análise, o volume previsto para o fundo — cerca de R$ 6 bilhões, acima do registrado em 2022 (R$ 4,9 bilhões) — tende a reforçar um efeito de concentração política, uma vez que o controle sobre a destinação dos recursos permanece, em grande parte, nas mãos das cúpulas partidárias.
Nesse contexto, a distribuição do fundo funciona como instrumento de fortalecimento de candidaturas estratégicas e pode se transformar em moeda de troca no desenho de coligações e alianças, influenciando a competitividade eleitoral e a dinâmica partidária.
O ponto central da avaliação é que esse modelo de financiamento não cria, por si só, a polarização — mas a intensifica, pois favorece partidos e grupos que já possuem maior estrutura e representação parlamentar. Ao premiar quem tem bancadas robustas, o sistema amplia a capacidade de mobilização e sustentação eleitoral dos principais polos.
Com isso, o advogado eleitoralista destaca que praticamente metade do valor total tende a ficar concentrada em torno das forças políticas associadas aos dois grandes blocos hoje predominantes, capitaneados pelo presidente Lula e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o que reduz ainda mais o espaço para alternativas e dificulta a viabilidade de uma “terceira via” competitiva em 2026.